A Pátria, poema de Julio Cortázar

Pátria de longe, mapa,

mapa de nunca.

Porque o ontem é nunca

e o amanhã manhã.

 

Guardo um odor de trevo,

uma rua com árvores,

uma recontagem de mãos,

uma luz sobre o rio.

 

Pátrias, cartas que chegam

e outras que voltam,

pássaros de papel

sobre o mapa voando.

 

Porque o ontem é nunca

e o amanhã manhã.

 

Julio Cortázar in “Papéis Inesperados”, tradução de Sofia Castro Rodrigues e Virgílio Tenreiro Viseu. Cavalo de Ferro, Lisboa, 2010, p. 484.

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