Nocturno Indiano, de Antonio Tabucchi

«Enchi-lhe novamente o copo. Bebeu e começou a contar. Foi uma narrativa longa, prolixa, cheia de pormenores. Falou-me da história deles, das ruas de Bombaim, de alegres passeios a Bassein e a Elephanta. E das tardes passadas no Victoria Garden, deitados na relva, dos banhos em Chowpatty Beach, debaixo das primeiras chuvas das monções. E eu soube, assim, como o Xavier aprendera a rir e aquilo que o fazia rir; e como gostava do pôr do Sol no mar de Omã, quando passeavam à tardinha junto à praia. Era uma história que ela expurgara cuidadosamente de todas as fealdades e misérias. Era uma história de amor.»

 

TABUCCHI, Antonio, Nocturno Indiano, Dom Quixote, 2009, p. 24

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