Nem Aqui, Nem Ali, de Bill Bryson

«A primeira vez que vim à Europa foi em 1972, magrizelas, tímido e sozinho. Nesses tempos, os únicos voos baratos eram de Nova Iorque para Luxemburgo, com uma escala para reabastecimento no aeroporto de Keflavík, em Reiquejavique. Os aviões eram encantadoramente obsoletos – por vezes, as máscaras de oxigénio caíam espontaneamente dos seus compartimentos no tecto e ficavam para ali penduradas até aparecer uma hospedeira com um martelo e a boca cheia de pregos para consertar as portinholas, e a porta do lavabo tendia a abrir-se continuamente para lá e para cá se não a mantivéssemos fechada com um pé, o que transformava num verdadeiro desafio tudo o que planeássemos lá fazer – e eram dolorosamente lentos. Levou semana e meia a chegar a Kleflavík, um pequeno aeroporto cinzento no meio de um nenhures de planura cinzenta, e mais uma semana e meia para ser sacudido através dos céus do Luxemburgo.

Todos os passageiros do avião eram hippies, exceptuando a tripulação e dois executivos da indústria do arenque que viajavam em primeira classe. Era como se estivéssemos metidos num autocarro Greyhound a caminho de uma convenção de cantores folk. As pessoas puxavam continuamente de guitarras, bandolins e garrafas de vinho Thunderbird e estabeleciam relações com os companheiros de assentos que conduziriam claramente a uma prodigalidade de sexo enérgico numa sucessão de praias mediterrânicas.»

 

BRYSON, Bill, Nem Aqui, Nem Ali – A Europa de Estocolmo a Istambul, Quetzal, 2008, pp.14-15.

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