O Colosso de Maroussi, de Henry Miller

«Naquela noite, a conversa foi peculiar: começámos por falar da China e da língua chinesa, que ela estudava. Pouco depois, estávamos no Norte de África, no deserto, rodeados de povos de que eu nunca ouvir falar. E de repente ela caminhava sozinha ao longo das margens de um rio, e o sol era intenso, e eu seguia-o o melhor que podia sob aquela luz ofuscante, mas ela perdeu-se e eu dei por mim a deambular numa terra estranha, onde se falava numa língua que eu nunca tinha ouvido na minha vida. Aquela rapariga não era propriamente uma contadora de histórias, mas uma espécie de artista, pois nunca ninguém me conseguiu transmitir de forma tão perfeita a atmosfera de um local como ela em relação à Grécia.»

Henry Miller (1941, 2011), O Colosso de Maroussi, Tinta da China, p. 15