O barco bêbado, de Jean-Arthur Rimbaud

 

 

«Que assustado ouvi gemer, a cinquenta léguas,

O cio dos Beemotes, Maelstroms em batalha,

Um azul imóvel teço eu, sem pedir tréguas,

Chorando aquela Europa de antiga muralha!

 

Que arquipélagos siderais eu vi! Ilhas

Com céus em delírio abertos ao viajador;

– Nestas noites sem fundo é que a dormir te exilas,

Milhão de aves de ouro, futuro vigor?»

 

O Barco Bêbado (1871, 1985), Hiena Editora, trad. José Pedro Leal