A Casa-comboio, de Raquel Ochoa

Damão, Junho de 1885

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A estação fervilhava de hipóteses: de negócios, de destinos, de refeições. Animais de carga e cães rafeiros eram tão numerosos como as pessoas em trânsito. Percorreriam o caminho desde Vapy, a estação de comboios mais próxima, até Damão, que distava sete milhas. Carcomo era um homem viajado, à luz da época. Olhou para o coche velho com cortinas de seda macilentas, puxado por um par de cavalos, que poderia ter sido a carruagem de Estado de algum governador antigo de Damão, nos provectos e prósperos dias do governo português. Entrou para a cabine e com um assobio as rodas começaram a girar cumprindo as ordens dos músculos tesos dos cavalos.

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A estrada atravessava as aldeias de Chalá e Cuntá (inglesas), Dabel, Dundortá, Catriá e Damão Pequeno (portuguesas), embora não por esta ordem, e sim interpenetrando-se.

 

OCHOA, Raquel (2010) A Casa-comboio, Gradiva, Lisboa, pp. 15-16.