Caminhar no Gelo, de Werner Herzog

«Um comboio atravessa a correr os campos e fura as montanhas. As rodas parecem incandescentes. Uma carruagem pega fogo. O comboio pára, as pessoas tentam apagar o fogo mas já não é possível salvar a carruagem. Decide-se seguir viagem, depressa, para longe. O comboio avança, rumo a um universo sem luz, sempre a direito. Na escuridão do universo, ardem as rodas e arde a carruagem. Explosões inimagináveis de estrelas, mundos inteiros entram em colapso e confluem num único ponto. A luz já não consegue escapar, mesmo a escuridão mais cerrada pareceria aqui uma luz e o silêncio um tumulto. O universo está preenchido com nada, é um vácuo negro que boceja»

Werner Herzog (1978, 2011) Caminhar no Gelo, Tinta-da-China, p. 95.