Viagem a Tralalá, de Wladimir Kaminer

«O meu amigo Andrej e eu planeámos logo a nossa primeira excursão. Claro que tinha de ser a Paris, a cidade que corresponde desde sempre a um lugar especial na cabeça dos russos: o quase inatingível paraíso.

Preparámo-nos minuciosamente para a viagem, e comprámos uma máquina fotográfica, bem como dois bilhetes de autocarro com data em aberto: ‘Experimente Paris – por noventa e nove francos, ida e volta’». Na posse deles, podíamos a qualquer momento pôr-nos a caminho de Paris. O que nos parecia demasiado rápido. Para saborear mais longamente a sensação de absoluta liberdade de circulação, começámos por permanecer na nossa residência em Marzahn. Dia após dia, sentávamo-nos na cozinha a beber cerveja e a contar um ao outro histórias sobre essa cidade.»

 

KAMINER, Wladimir, Viagem a Tralalá, Tinta-da-China, 2012, p. 17.

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